Tocar em determinados assuntos em nossos dias, sobretudo onde a doutrina
da prosperidade tem larga e apaixonada aceitação, é assumir o risco de ser
visto como alguém incrédulo. Mas sei que ainda existem, em nossos dias, crentes
como os irmãos de Beréia (Atos 17.11).
Como disse Jesus: “A minha Casa será Casa de oração. Porém vós a
transformastes num covil de estelionatários!” (Lucas 19.46 – KJA). Como nos
dias de Jesus, hoje a Casa de Deus virou um verdadeiro balcão de negócios, com
raras exceções. É um verdadeiro covil de estelionatários. Os bons de lábia
enganam e são enganados. Além dos ardis, citados anteriormente, para surrupiar
o dinheiro do povo, agora fabricam amuletos mágicos para serem comercializados
no altar. A diferença está apenas no nome - chamam de objetos consagrados. A
propaganda é grande: foram 10 dias de jejuns, 3 dias no monte, foram tantos
pastores que oraram, e por aí vai. Estes argumentos são tremendos, e diante de
uma platéia carente e necessitada, não fica nenhum de fora. Tudo é vendido. São
chaves de ouro para abrir porta financeira, toalhinhas ungidas que curam,
mantos carregados de unção, corredores consagrados, portas de madeira com
poderes miraculosos, etc. Umas igrejas fabricam 12 portas de madeira, para o
povo, enfileirado, passar por dentro. Outras fazem 24, e por aí vai. Os mantos
variam, uns chegam a ter mais de 30 metros de comprimento. São muitos objetos;
eles variam de acordo com a criatividade dos líderes. Quando lêem algo na
Bíblia, logo relacionam e criam, e aí vira festa...
“Meu povo foi destruído por falta de conhecimento” (Oséias 4.6).
“Pois desejo misericórdia, e não sacrifícios; conhecimento de Deus em
vez de holocaustos” (Oséias 6.6).
Alguém pode até dizer: Ah, irmão, mas Fulano tocou a toalhinha no doente
e ele foi curado! Outro ainda pode dizer: Eu toquei no manto sagrado e o mal
saiu! Falaremos disto agora, não tenha
pressa, apenas pegue sua Bíblia e confira comigo alguns textos. Lembre-se, Deus
quer que o conheçamos, mas que prossigamos na busca do Seu conhecimento (Oséias
6.3).
Os que comercializam estes ‘objetos consagrados’ usam como defesa a
própria Bíblia. Mas texto sem contexto pode, na maioria das vezes, resultar em
heresia.
A Bíblia registra algumas manifestações de poderes miraculosos por
intermédio de objetos usados por homens de Deus. Não sei se você já presenciou,
mas já presenciei um jovem pregador lançar seu paletó sobre uma jovem e ela ser
batizada no Espírito Santo, instantaneamente. Da mesma forma, alguns ao serem
tocados pelo paletó do homem de Deus receberam a cura, mas não vimos o pregador
vendendo o “paletó consagrado” ou pedaços deste.
Estes casos acima tive o cuidado de conversar com as pessoas que
receberam tais ministrações, e houve realmente a manifestação do poder de Deus.
Continue lendo, mas lembre-se de que o Senhor não vai deixar de manifestar seu
poder sobre alguém que crê e o honra só porque alguém, que não tem temor no
coração, pode torcer a palavra ou transferir a glória de Deus a objetos
materiais.
Sobre o ministério de Paulo, a Bíblia revela que “... até os lenços e
aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles,
e os espíritos malignos saíam” (Atos 19.12). O mover de Deus era tão grande nos
primeiros dias da igreja que as pessoas levavam os doentes em macas para que,
passando Pedro, pelo menos a sombra deste se projetasse sobre alguns deles
(Atos 5.15). Lendo alguns livros da evangelista Kathryn Kuhlman, observei que
pessoas eram curadas dentro do ônibus, antes mesmo de chegarem ao local das
reuniões; outras eram curadas dentro do auditório, mesmo antes da evangelista
chegar. Acontece que, em tempos de grandes avivamentos, quando há um fluir
abundante do poder de Deus, simples palavras provocam e atiçam a fé das
pessoas, que são curadas instantaneamente, sem nem mesmo ministrações de
obreiros consagrados. Quando Deus revela seu poder ao povo, este acorda para
realidades sobrenaturais da fé, bastando pequenos objetos ou simples palavras
para que o milagre encontre espaço. Lembre-se que Jesus disse que a fé move e
remove monte e não haverá nada impossível. Isto ESTÁ ESCRITO! (Leia Mateus
17.20).
Foi o que aconteceu nos tempos de Jesus e dos apóstolos, e continua
hoje. Lembra da mulher do fluxo de sangue? A fé que aquela mulher tinha em
Jesus era tão viva que pensou: não precisa Ele falar comigo, nem mesmo pedir ao
Pai pela minha cura, basta eu tão somente tocar em sua roupa (Mateus 9.21). E
assim aconteceu; a fé removeu um monte estabelecido há doze anos. Da mesma
forma com os lenços de Paulo. O poder sobrenatural fluía pela vida dele e,
conseqüentemente, pelas suas vestes, provocado pela fé do povo, para cumprir o
que está escrito (I Coríntios 6.17).
Não é diferente com muitos ministérios de milagres que Deus tem
levantado em nossos tempos. A fé das pessoas é “ativada” com simples palavras,
toque de toalhinhas, peça de roupa e outros, mas comercializar estes objetos é
ridicularizar o santo evangelho.
Não lemos que Paulo dava seus lenços ou aventais, foi o povo que lançou
mão. Também não lemos que Pedro organizou filas de doentes para projetar sua
sombra. O mandamento é: “Curem os enfermos, ressuscitem os mortos, purifiquem
os leprosos, expulsem os demônios” (Mateus 10.8). Tiago escreveu: “orem uns
pelos outros para serem curados” (Tiago 5.15), e também mandou orar com
imposição de mãos e ungir com óleo o doente (verso 14).
Entendo o porquê de não haver ordenança, nem mesmo ensino acerca do uso
de objetos consagrados para se obter cura ou milagre, exceto o óleo ungido. É
simples. Se tenho um objeto que produz milagre, não preciso buscar o poder de
Deus. Se tenho em mãos um lenço, chave, manto ou outro objeto consagrado, não
preciso consagrar a minha vida, pois o objeto resolve meu problema. Por que não
ensinar o povo a consagrar sua vida, exercer a autoridade espiritual e impor
suas próprias mãos sobre os enfermos, conforme Jesus mandou? Dessa forma, o
povo será levado a viver uma vida separada do pecado, evitará tocar no que é
proibido, para poder ter em si o poder sobrenatural. Como disse, se tenho um
objeto que opera tudo que quero, para quê tanto esforço para obter o poder
divino?
Agora, se as Escrituras Sagradas nem mesmo nos orientam usarmos tais
objetos na cura dos enfermos, quanto mais a comercialização deles. Embora o
valor unitário destes “objetos consagrados” seja irrisório, os milhões vendidos
resultam numa dinheirama incalculável. Eles usam o dinheiro para várias
finalidades, até mesmo para promover o Reino de Deus, mas isto macula a imagem
do Evangelho. Isto é mercadejar as bênçãos de Deus. Ele não exige, e nunca
exigiu, dinheiro de alguém para curar ou realizar qualquer maravilha. Também
com isso não quero dizer que tudo foi de graça. Para Deus operar curas e milagres
em nossas vidas Jesus pagou um preço altíssimo. O profeta Isaías falou:
“... e pelas suas feridas fomos curados” (Isaías 53.5).
Entre as tantas e insondáveis belezas do Evangelho, uma ninguém pode
esconder: o poder miraculoso para curar o doente, ainda que em estado terminal
ou portador de mal incurável, não lhe custa a menor unidade monetária; é dado
pelo infinito amor de Deus, personificado em Jesus Cristo. Há somente uma
exigência: a fé. Louvado para sempre seja o nosso Deus e Pai de nosso Senhor Jesus
Cristo! Todo louvor ao Espírito Santo, por nos ensinar estas coisas e torná-las
realidades em nossas vidas!
Paulo viveu uma vida de privações e necessidades financeiras para
vincular as bênçãos do Evangelho unicamente ao amor de Deus. Quanta maldição haverá
para aquele que vincular as bênçãos do santo evangelho a interesses materiais!
Este discurso belo e
aparentemente piedoso de quem comercializa ‘objetos consagrados’, ainda que a
preços irrisórios, afirmando que o valor exigido não corresponde à venda de
milagre, é já uma tentativa de calar a voz gritante da consciência cristã,
tanto de quem exige como de quem é exigido.

E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu Nome expulsarão demônios; em línguas novas falarão.
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